Ouvimos todo tipo de coisa sobre a dosagem de vitamina D e pessoas que consomem quantidades enormes por dia. Mas será que é seguro ingerir acima da dosagem recomendada? Vem comigo que eu vou explicar tudo.

A Vitamina D

Inicialmente, vamos falar um pouco da vitamina em si, já que vamos precisar saber algumas coisas antes de entender sobre a dosagem de vitamina d ideal.

Trata-se de uma vitamina lipossolúvel, ou seja, solúvel em lipídios (gorduras). Por isso, também se armazena em tecidos com grande quantidade de gorduras, como  a pele, por exemplo.

A vitamina D é um pró-hormônio que atua como importante regulador do metabolismo ósseo, facilitando a absorção do cálcio e, assim, influenciando a formação de ossos e dentes. Além disso, também é obrigatória na produção de insulina e manutenção do sistema imunológico.

Formas da Vitamina D

Geralmente encontramos duas formas de vitamina D disponíveis em suplementos alimentares: a Vitamina D2 (Ergocalciferol) e a Vitamina D3 (Colecalciferol).

A Vitamina D2 é de origem vegetal, e possui funções muito parecidas com as da Vitamina D3, de origem animal. No entanto, quando se trata de capacidade de absorção em nosso organismo, a D3 sai na frente. Estudos indicam que sua taxa de absorção é bem superior à D2 e, exatamente por isso, a maioria dos suplementos se encontra nessa forma.

Fontes

A exposição ao Sol é considerada a melhor fonte de vitamina D, já que os raios ultravioleta do tipo B (UVB) são capazes de ativar essa substância. Mas, alguns alimentos também são considerados fontes de vitamina D, como peixes gordos (salmão, arenque, atum…) por exemplo. O problema é que nem todo mundo possui esse tipo de alimento disponível em sua dieta e, além disso, a quantidade de vitamina que eles fornecem é bem pequena, em torno de 10%. Os outros 90% são provenientes da luz solar e da síntese cutânea.

Pessoa segurando uma cápsula para demonstrar a dosagem de vitamina d

A Deficiência de Vitamina D

Índices baixos de Vitamina D são um problema mundial. Cerca de 60% da população possui níveis abaixo do recomendado, e eu posso colaborar com essa informação. Como Biomédico, uma de minhas funções trabalhando em laboratórios de análises clínicas era validar resultados de exames. A grande maioria dos resultados de Vitamina D é abaixo dos valores de referência e, além disso, é extremamente raro encontrar pessoas com valores ideais, acima dos aceitáveis. 

Fatores como baixa exposição ao Sol, cor da pele, distúrbios na absorção e o avanço da idade são as principais causas. 

Essa deficiência, conhecida como Hipovitaminose D, pode estar relacionada a diversas doenças conhecidas, como as autoimunes. Podemos citar a esclerose múltipla e o diabetes mellitus insulinodependente como exemplos. 

O número de problemas gerados pela deficiência de Vitamina D é enorme, mas não quero fugir do nosso foco de hoje, que são as dosagens.

Se você quiser entender mais sobre a hipovitaminose D, temos um artigo que explica em detalhes aqui.

Qual a Dosagem de Vitamina D ideal?

Bom, existe muita discussão sobre esse assunto mundo afora. Basicamente em duas vertentes: um time que apoia o aumento das doses recomendadas e outro que não acha importante revisitar esses valores.

No Brasil, o órgão responsável por orientar sobre esses valores é a SBEM, Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, e eles definitivamente são do time “deixa quieto”. 

Risco de Intoxicação

Como explicamos lá no início, a Vitamina D é lipossolúvel e, por conta disso, possui a capacidade de ser armazenada em tecidos com grande quantidade de gorduras. 

Essa informação é importante para entender sobre os riscos de intoxicação. Quando ingerimos uma quantidade maior do que a necessária de vitamina D, ela se acumula nestes tecidos. Como consequência, alguns problemas podem ocorrer, como o desequilíbrio do metabolismo do cálcio.

Não se preocupe. Para atingirmos níveis tóxicos de Vitamina D, teríamos que consumir uma quantidade muito acima do recomendado. Muito acima mesmo!

Ciência x Ciência

Entendeu agora o porquê de tanta discussão sobre o assunto? Se a intoxicação ocorre com ingestão muito acima da recomendada, qual o problema de aumentar a recomendação e, teoricamente, aumentar os benefícios gerados pela vitamina D?

Acontece que, conforme as pesquisas avançam, mais benefícios relacionados à vitamina D são encontrados. Inclusive, ela já é chamada de “Hormônio D”, para enfatizar sua importância. 

Vamos falar de valores?

Com os números, acho que consigo fazer vocês entenderem melhor. Como eu disse, aqui no Brasil quem define dosagens e valores de referência é a SBEM. 

Valores de Referência:

  • Deficiência: <20 ng/mL;
  • Adequado para a população em geral <65 anos: entre 20-60 ng/mL;
  • Adequado para indivíduos com condições vulneráveis *: 30-60 ng/mL;
  • Risco de intoxicação: >100 ng/mL.

*Recomendado para: idosos, pacientes pós-cirurgia bariátrica, gestantes, indivíduos em uso de drogas que interferem no metabolismo da vitamina D, e os pacientes com osteoporose, hiperparatireoidismo secundário, osteomalácia, diabetes mellitus tipo 1, câncer, doença crônica, doença renal ou má absorção.

Vamos relacionar com os valores recomendados para o CONSUMO e a situação vai ficar mais clara.

Ainda de acordo com a SBEM, a dose recomendada para correção da deficiência de Vitamina D é de 50.000 UI/ semana. Ou seja, em torno de 7000 UI/ dia.

Já a recomendação para manutenção dos valores, ou seja, a recomendação que não vai alterar realmente seus níveis de vitamina D, é de 400 a 2000 UI/ dia, exatamente a dosagem mais encontrada em suplementos.

Resumindo:

A dose encontrada na grande maioria dos suplementos de Vitamina D não é capaz de aumentar os seus níveis. Na verdade, ela é 3x menor do que a dose que realmente vai fazer alguma diferença. 

Para aumentar: 7000 UI/ dia.

Para manter: 2000 UI/ dia.

Agora eu tenho certeza que vocês entendem as discussões científicas sobre as dosagens. Os valores recomendados não fazem mais sentido, estão defasados. Principalmente se levarmos em conta a quantidade de benefícios promovidos pela Vitamina D e que foram descobertos depois da determinação desses valores de referência. 

Dosagens e orientação

Por favor, não confundam minhas explicações. Quem determina a quantidade de vitamina D que você deve ingerir é o profissional da saúde, médico ou nutricionista. E eles devem utilizar exames laboratoriais em cada caso para determinar a quantidade necessária. 

Minha intenção aqui era mostrar o porquê de tanta discussão sobre as dosagens de vitamina D e derrubar alguns mitos. Ficou claro que há necessidade de outros estudos e de um consenso científico. Enquanto isso não acontecer, vamos continuar presos a valores antigos e defasados. 

Enquanto isso, escolha bem os seus suplementos. Neste artigo, ensinamos a escolher a melhor Vitamina D. Não deixe de ler pois é de extrema importância.

As informações fornecidas neste site destinam-se ao conhecimento geral e, portanto, não devem substituir orientações de profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. Sendo assim, procure sempre o aconselhamento do seu médico ou nutricionista com qualquer dúvida que possa ter a respeito de sua condição médica. As informações contidas aqui não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Nunca desconsidere o conselho médico ou demore na procura de ajuda por causa de algo que tenha lido em nosso site e mídias sociais da MAKAI®.

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